Nos últimos dias, o setor de saúde suplementar foi surpreendido com a notícia de que a Unimed Nacional recebeu um aporte de R$ 1 bilhão das cooperativas regionais. O objetivo? Reequilibrar as contas da maior cooperativa médica do Brasil e evitar uma intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Mas o que isso significa para os beneficiários da Unimed?
Haverá impactos nos planos de saúde? Como essa situação afeta o mercado de saúde suplementar como um todo? Neste artigo, explicamos o contexto da crise financeira, os motivos do aporte e as possíveis consequências para os clientes.
O que aconteceu com a Unimed Nacional?
A Unimed Nacional, que atende cerca de 2 milhões de clientes, vinha acumulando prejuízos expressivos nos últimos anos. Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, a operadora registrou um déficit líquido de quase R$ 1 bilhão entre 2023 e os primeiros nove meses de 2024.
Diante desse cenário crítico, as 300 Unimeds regionais concordaram em contribuir com parte de suas reservas técnicas — o equivalente a 10% do total — para tentar equilibrar as contas da Unimed Nacional. Essa medida inédita foi imposta para evitar que a ANS interviesse na gestão da cooperativa, algo que poderia comprometer a prestação de serviços aos beneficiários.
Além do aporte financeiro, a capitalização foi condicionada à troca da diretoria da Unimed Nacional. A expectativa é de que a nova gestão seja definida ainda neste trimestre, trazendo mudanças estratégicas para reverter a crise.
Por que o aporte foi necessário?
A estrutura da Unimed no Brasil funciona como um sistema cooperativo. Cada unidade regional tem sua própria administração, mas todas compartilham a mesma marca. Dessa forma, quando há prejuízo em uma parte do sistema, as cooperativas locais podem ser chamadas a contribuir para a recuperação.
No caso da Unimed Nacional, as dificuldades financeiras se intensificaram devido a fatores como:
- Custos elevados com operadoras e hospitais credenciados – O aumento das despesas médicas sem reajustes proporcionais nas mensalidades afetou o equilíbrio financeiro da operadora.
- Gestão descentralizada e falta de profissionalização – Muitos gestores acumulam funções como médicos e administradores, o que pode comprometer a eficiência das decisões estratégicas, de acordo com fontes ouvidas pelo Valor Econômico.
- Histórico de problemas financeiros no sistema Unimed – Casos como o da Unimed Paulistana (que faliu em 2015) e da Unimed Cuiabá (sob investigação do Ministério Público) mostram que o modelo cooperativo nem sempre consegue se sustentar sem ajustes constantes.
Leia também:
4 erros mais comuns ao contratar um plano de saúde empresarial
Como o plano de saúde empresarial ajuda na retenção de talentos
Plano de saúde empresarial: 5 vantagens para seus colaboradores
Quais os impactos para os beneficiários?
Agora, a grande questão: como essa crise pode afetar os beneficiários dos planos Unimed?
- Possíveis reajustes nos planos: A necessidade de equilibrar as contas pode levar a aumentos nas mensalidades, especialmente para clientes da Unimed Nacional.
- Mudanças na rede credenciada: Algumas unidades podem renegociar contratos com hospitais e clínicas, impactando a disponibilidade de atendimento.
- Maior rigor na aceitação de novos clientes: A operadora pode adotar critérios mais seletivos para evitar a entrada de beneficiários com alto risco de sinistralidade.
- Estabilidade no longo prazo: Por outro lado, o aporte e a troca da gestão podem fortalecer a Unimed Nacional, garantindo mais segurança para os clientes no futuro.
O que fazer agora?
Se você é beneficiário da Unimed Nacional ou de uma cooperativa regional, é importante acompanhar os desdobramentos desse caso. Algumas ações podem ajudar a garantir que você não seja pego de surpresa:
- Verifique as condições do seu plano – Se houver mudanças na rede credenciada ou reajustes, a operadora deve comunicar com antecedência.
- Fique atento às notícias do setor – A troca de gestão pode impactar a forma como a Unimed Nacional opera nos próximos anos.
- Compare opções de planos – Dependendo da sua necessidade, pode valer a pena analisar outras operadoras de saúde. Se precisar de ajuda, consulte um corretor especializado.
Conclusão
A injeção de R$ 1 bilhão na Unimed Nacional é uma medida emergencial para evitar uma crise ainda maior no sistema Unimed. Embora o aporte ajude a estabilizar a operadora, os beneficiários devem ficar atentos a possíveis reajustes e mudanças na rede de atendimento.
Se você quer saber mais sobre planos de saúde e como garantir a melhor escolha para sua empresa ou família, entre em contato com um especialista.